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4 de julho de 2009

Synecdoche, New York


Ano: 2008

Realização: Charlie Kaufman

Argumento: Charlie Kaufman

Nos dias de hoje, o cinema é movido pela escrita. Tal facto provou-se recentemente, quando o mundo do entretenimento se mostrou frágil perante uma mediática greve dos argumentistas. Com efeito, cada projecto cinematográfico tem na sua base uma série de argumentos escritos e rescritos. Porém, de entre a multidão de escritores que existe na criação cinemática, poucos são verdadeiros autores, aqueles que mostram uma voz própria e não se colam aos estereótipos populares, como adaptações de obras e biografias, remakes e sequelas de franchises já exploradas. Charlie Kaufman é um deles.

Desde o filme “O Despertar da Mente” (na minha opinião um exemplo da perfeição que um argumento de um filme pode alcançar) que estava ansioso por ver que novos trabalhos sairiam da mente do argumentista. Com efeito, de todos os filmes que contam com o nome de Kaufman nos créditos, posso dizer que nunca me desiludi com o resultado final. Este novo “Synecdoche, New York” não é excepção. Como em todo os seus trabalhos, Kaufman aborda aqui uma temática bastante criativa e interessante, uma nova perspectiva sobre a mentalidade humana e a sua relação recíproca com a arte.

A história centra-se no dramaturgo Caden Cotard que, após uma produção teatral de sucesso, procura levar o seu trabalho a uma dimensão mais épica e honesta, com o objectivo de capturar o íntimo do quotidiano e transpô-lo para o palco. Assim, decide reunir um elenco num armazém em Nova Iorque com o objectivo de recriar, à escala real, a cidade americana. Porém, à medida que o projecto se vai desenvolvendo, Caden vai-se apercebendo que, embora a sua intenção fosse criar algo único e original, o seu projecto não passa de uma réplica glorificada com a pretensão de criatividade.

O comentário aos ideais de criatividade e originalidade presentes na arte de hoje permeia todo o filme, sendo este, simultaneamente, um excelente manifesto artístico. Esta é uma história muito bem escrita que, possuindo uma densidade complexa, está recheada de pormenores fantásticos, desde o nome do protagonista referir um distúrbio psicológico que o caracteriza até à casa em chamas. É um argumento inteligente, que desafia até o espectador mais literato, pois não se perde nas palavras, mas através dela, alcança algo maior, uma ambiguidade interpretativa que fica connosco e nos obriga a pensar no filme, mesmo depois de este terminar.

Infelizmente, se o filme de facto não se perde no argumento, perde-se na realização. Kaufman, que aqui se estreia no cargo da realização, acaba então por ser em simultâneo o melhor (graças à sua escrita, única e diferente) e o pior (devido à falta de experiência por detrás da câmara) do filme. Não que o filme esteja mal realizado, a realização é competente q.b. ao narrar a história, mas Kaufman adopta um estilo parado que não cativa as audiências, tornando, por vezes, um filme que devia ser inspirador e vibrante, em algo moroso e chato. Ou seja, a exprimir as suas ideias em papel, ele é genial, mas passá-las para o grande ecrã (uma tarefa bastante árdua, diga-se de passagem…) ainda faltam bastantes degraus até chegar a uma genialidade equivalente à da sua escrita.

Igualmente, apesar de o filme conter um elenco muito talentoso, Kaufman não explora os actores da melhor maneira. O que vale é o facto de, quanto à interpretação, o filme basicamente assenta-se nos ombros de Phillip Seymour Hoffman, actor de grande calibre que aqui não desilude e pode juntar a sua participação neste filme a um curriculum já notável. Igualmente Smantha Morton e Catherine Keener encontram-se bem, se bem por vezes mostrem um pequeno desconforto com as suas personagens, revelando-se uma dinâmica interessante mas não muito cativante. Eis aqui um exemplo da falta de experiência na realização da parte de Kaufman que prejudica o filme. É de se ponderar como resultaria o filme se fosse realizado com uma inovação aliciante de Spike Jones ou com uma simplicidade mágica e sonhadora de Michel Gondry.

Esta divergência entre 'Kaufman, o escritor' e 'Kaufman, o realizador' acaba por estragar o filme (ironicamente, esta dicotomia lembra-me do filme “Inadaptado”, cujo argumento é também da sua autoria…). Apesar de tudo, “Synecdoche, New York” é bastante recomendável pela história, sendo este o filme mais bem escrito que vi este ano. Porém, a barreira morosa e pretensiosa que rodeia a realização do filme torna-o pouco acessível ao espectador casual.

21 de maio de 2009

The Children

poster_thechildren Vi recentemente The Children, realizado por Tom Shankland, o que mais gostei neste filme foi um género terror muito próprio advindo do realizador. No entanto The Children propõe algo que ainda é muito difícil que alcançar, um novo género de terror.O terror que tem como fonte principal as crianças, já não é sopa nova, mas ainda entretêm em termos de terror, contudo entendo que o ambiente criado pelo realizador e ao qual o argumento faz referência não é o mais indicado para o tipo de filme em questão.

Tom Shankland apostou num terror intuitivo mas novamente apetrechado de clichés, o que não ajudou na realização, o cenário inóspito e deserto continua a ser o palco para vários filmes de terror e the children não escapou à maioria. A realização é razoável com muito poucas surpresas e a direcção dos actores também, embora também reconheça que não seja fácil dirigir crianças em tenra idade. clichés como o adolescente cheio de problemas e o pai lúdico estão presentes mas a profundidade é algo que escapa ao filme. Os olhos das crianças têm um carácter frio adaptado ao momento mas não convencem.

Os actores destacam-se razoavelmente e cada um à sua maneira, mas não existem interpretações de louvar. houve desempenhos razoáveis durante todo o filme, mas nenhuma situação que capte propriamente o brilhantismo de um sequer.

O argumento de Tom Shankland baseado na história de Paul Andrew Williams também como disse atrás não convence, o uso de crianças para terror continua a ser uma ideia que deve ser explorada, mas os filmes que surgem continuam a não captar a verdadeira essência das mesmas, mas acredito também que a passos largos caminhamos para a pérola neste género.

Não vale o bilhete (podia ser bem melhor e houve cenas que deviam ter sido mais trabalhadas, culpa do realizador que simplesmente a meu ver não se importou, é um fast food de terror)

20 de maio de 2009

Eden Lake

eden_lake_ver2 Eden Lake faz lembrar um While She Was Out, disfarçado, quase um deja vu deste ultimo filme. O filme aborda variados temas, a passividade, a frieza do ser humano e as adversidades que por vezes pessoas banais tem que ultrapassar para sobreviver num ambiente que não é o deles. Eden Lake não surpreende, o filme é inglês e nota-se o cunho britânico durante quase todo o filme, não só pela rudeza das pessoas nele inseridas como também na natureza que circunda o filme.

A realização a cargo de James Watkins não oferece grandes surpresas, ora estanca por completo, ora arranca a uma velocidade quase incompreendida. não que esteja em completo desacordo com o realizador pois as vicissitudes da história assim implicam, mas a verdade é que a realização ainda consegue oferecer algumas surpresas no género do suspense. A mensagem inerente não é nova mas o filme ajuda a transparece-la de uma forma bruta e extremamente fria, quase como se tivesse a gritar “vejam se abrem os olhos”.

Quanto a nível de actores tenho a dizer que conheço pouco deles e do pouco que conheço foi de aparições espontâneas que fizeram noutros filmes e séries britânicas. Não indica contudo que estiveram mal, pelo contrário, todos apresentaram uma consistência muito acima da média e até as jovens estrelas se safaram bastante bem.

O argumento de Eden Lake embora faça parecer muito um While She Was Out meets Deliverance, não está mau de todo. Digo isto porque de facto a mensagem do filme consegue passar para os espectadores de uma maneira bastante concreta, “o Mundo está podre”. Infelizmente para um argumento extremamente frio, a realização acaba por afundar o filme num jogo do rato e do gato, onde o rato tem alguns truques na manga, mas onde o gato sai fortemente vencedor.

Vale meio bilhete (bom estudo sobre o fenómeno “Bullying”, mas levado demasiado ao extremo, mostra uma visão brutal de uma sociedade que está destinada a auto consumir-se pela violência)

18 de maio de 2009

Ip Man

l_1220719_6acb6ba8 Desenganem-se os que pensam que este é um filme de ficção cientifica ou de qualquer modo ligado as novas tecnologias e piratarias do ciberespaço. Ip Man acaba por ser uma biopic do homem que integrou o género de Kung Fu, Wing Chun na China (género reavivado por Bruce Lee com o seu Jet kun Do ). Os cenários e as lutas incasáveis tornam uma biopic num filme rápido, filosófico, e visualmente muito bonito.

Wilson Yip é o realizador, apostou numa realização dinâmica e em coreografias de encher os olhos. As filmagens atingem os cenários muitas vezes de cima, visto as ruas da cidade serem extremamente estreitas, os cenários são visualmente bem trabalhados, a direcção dos actores também, contudo não poucas cenas roçam o filme de acção banal, tão banal que parece que estamos a ver um filme do Van Damme, coisa que nos dias de hoje já não apetece.

O melhor desempenho do filme vai de facto para actor que interpreta a personagem principal, Donnie Yen, conceituado actor de artes marciais na china pelo qual é maioritariamente conhecido, aposta num filme com um background diferente embora que para alguns superficialmente igual.

O argumento de Edmond Wong baseado na vida e obra de Ip Man é uma história recheada de ideais e de conceitos filosóficos fáceis mas não banais, muitos eles advindos das práticas de artes marciais. Ip Man passa ao lado dos outros blockbusters de artes marciais por não ser tratado da mesma maneira que o “Crounching Tiger Hidden Dragon” ou “Hero”. Ip Man é bom, mas de facto podia ser bem melhor, certos clichés estão presentes mas são facilmente ultrapassados pela história embutida no filme da guerra entre a China e o Japão.

Vale meio bilhete(por aquilo que tenta alcançar), mas vale o bilhete pelo entretenimento

12 de maio de 2009

Punisher: War Zone [O Justiceiro 2: Zona de Guerra]


Ano: 2008
Realização: Lexi Alexander

O filme conta a história de The Punisher, um militar que depois de ver a sua família assassinada por criminosos, decide iniciar uma cruzada sangrenta contra o crime, sendo júri, juiz e carrasco.
Para quem procura um filme de acção, com balas, porrada, mais balas, mais porrada e explosões este é claramente o filme.

É um filme violento (mas soft, visto que é um blockbuster hollywoodesco) e pouco mais. Não traz nada de novo mas também não desilude quem souber aquilo que vai ver.


Enjoy (se tiveres prai virado)

David o golias

27 de abril de 2009

The Midnight Meat Train

Movie Poster Vi este filme porque era baseado numa short story de Clive Barker, escritor de vários livros de terror/paranormal a quem reconheço uma extrema originalidade logo depois de H.P Lovecraft. Contudo o filme de Ryûhei Kitamura ficou muito aquém das expectativas, não só a nível de actores mas também a nível de realização. Algo que poderia ter sido mais profundo, acaba por ser filme para massas com o seu greasy gore e sustos fáceis.

O ambiente obscuro de Clive Barker foi bem executado, a tensão emocional nota-se numa cidade sombria muito ao estilo de Se7en, as filmagens de dia apresentam uma fotografia lindíssima mas a noite deixa de ser uma mais valia associando-se não poucas vezes aos filmes de terror do género, a realização peca pela originalidade de como as cenas são filmadas, recursos a ângulos estranhos tentam por o filme num patamar que não é propriamente aquilo que pretende alcançar.

Destaque para Bradley Cooper que saltou agora da série “Alias” para um personagem mais perspicaz, no papel de Leon personagem com pouca densidade e uma evolução meio débil, o actor estica os cordelinhos para lhe aumentar a credibilidade. Quanto a Vinnie Jones não aqueceu nem arrefeceu, embora apareça na maior parte das cenas, ao actor não lhe foi dada a possibilidade de falar, fica-se pelos gestos e pelas expressões faciais, se calhar foi pelo melhor. O filme brinda-nos ainda com uma special apperance de Brooke Shields muito apagada.

O que mais gostei no filme e pelo qual me apeteceu escrever sobre ele foi sem dúvida a short story de Clive Barker, um quase H.P Lovecraft moderno, acredito no entanto que o argumento tivesse possibilidades de ir mais longe. é uma história pouco vista com requintes de originalidade mas só totalmente compreensível até ao final do filme. Infelizmente e com muita pena minha penso que foi a produção que quis atirar este filme para as massas, o que fez com que perdesse uma caracterização e uma originalidade que lhe poderia ser muito própria.

Vale meio bilhete

“Step away from the meat”

19 de abril de 2009

How to Lose Friends and Alienate People [Como Perder Amigos e Alienar Outros]


Ano: 2008
Realização: Robert B. Weide


O filme é uma adaptação do livro autobiográfico de Toby Young, no qual é contada a história de um extravagante jornalista inglês, editor de uma revista de celebridades, que é convidado para ir trabalhar para a mais conceituada revista do género, em Nova Yorque.


É daquelas comedias, que quando se esforça por ter piada é precisamente quando não a tem, e quando tenta satirizar o mundo do glamour hollywoodesco, cai precisamente nos erros daquilo que satiriza. De realçar Gillian Anderson, uma actriz que aparece pouco, e não se percebe porque, já que aqui mostra que pode ser muito mais do que uma Agent Scully (ou variações dela) quanto a Kirsten Dunst mostra que precisa do toque do cinema independente para brilhar, pois nestas fitas de happy ending, perde metade do brilho, e banaliza-se um bocado.


Fora isso a realização é aquilo que já se esta a espera neste tipo de filmes… nem boa, nem má… antes uma fórmula quase matemática, ou quase culinária, onde nada brilha, nada arrisca, mas também nada falha (o que para mim, só por si, já é falhar)


Faz soltar alguns sorrisos (dois ou 3 daqueles, quase riso), mas no geral (e principalmente no fim) é um bocado forçado e previsível…


Se fores fan de comédias românticas, vais gostar, e provavelmente ate vais achar um bom filme, com imensa piada. Se não fores fan de comédias românticas, vais achar uma perda de tempo, com 2 ou 3 momentos engraçados.


Enjoy (só se já souberes a partida que vais gostar, porque não é daqueles filmes que surpreendam)

David o golias

15 de abril de 2009

Twilight

Crepúsculo
Um filme de Catherine Hardwicke (2008)
Baseado no romance Twilight de Stephanie Meyer

Este filme nunca pode ser considerado um bom. É básico, previsível quanto ao decurso da história, tem deixas-que-valha-me-deus e tem muitas falhas. É um romance de adolescentes onde um deles tem mais de 100 anos, é vampiro e se apaixona dolorosamente por uma miuda recém-chegada à cidade.
Os vampiros "lavam" aqui a sua imagem - para o melhor e para o pior. São retratados de um modo muito mais ligeiro do que fomos habituados, mostrando-se completamente integrados na sociedade, andando na rua durante o dia mas com poderes físicos e psíquicos superiores. No entanto também perdem a parte sexy maligna que os cunha.
Os actores fazem lá o papel deles - ela é bastante apática e inexpressiva, mas nem fica mal aqui. Certos planos da cara dele são o que baste para lhe dar um ar vampiresco. Estas personagens sofrem de tensão sexual inconsumada durante o filme inteiro (aguçada pela vontade que ele tem de lhe chupar o sangue) mas é quando estão sozinhas que menos têm graça.
No entanto, tenho que confessar: chamem-lhe estrogénio ou emotividade feminina, a verdade é que percebi porque é que a mulherada do mundo anda doida com o filme. Ele deve tocar no ponto "g" do romantismo porque parece-me inevitável simpatizar com esta história.
Concluindo, para o género de "teen romance" é bastante agradável. A melhor cena é a do jogo de baseball, com uns efeitos especiais exagerados e os Muse a tocar, o que dá uma mistura muito interessante!

Aconselho às românticas que acham piada a um pouco de paranormal, ou seja, a 90% das mulheres...



Bella: Graduation caps?
Edward: Yeah private joke. We matriculate a lot.

Carla V.

5 de abril de 2009

Religulous

Um filme de Larry Charles (2008)


Este filme é um documentário sobre a religião, conduzido pelo comediante Bill Maher.

O método de evolução do filme é muito simples: ele apresenta os grandes dogmas da Igreja aos seus fiéis ou representantes e, através de argumentos bastante simples ou de meras perguntas baseadas na lógica, ridiculariza e põe em causa pensamentos milenares. No entanto, a fé tornou-se certeza e nada demove as pessoas do seu caminho para a salvação religiosa - é esta devoção desprovida de lógica que aqui tão bem se explora que oferece momentos de enorme diversão.

Embora a principal visada seja a igreja católica, também ataca as "pontas soltas" de outras religiões.


Bill Maher: Gay Muslim activists. That is a very rare job description. You guys have big ones.

Carla V.

3 de abril de 2009

The Wackness [À Deriva]


Ano: 2008
Realização: Jonathan Levine
Prémios:
- Audience Award, Sundance Film Festival (2008)


O filme conta a historia de um jovem Nova Iorquino, que no verão antes de ir para a faculdade se vê “sozinho” na cidade, apenas com o seu emprego, os seus problemas familiares, uma colega de liceu, e o padrasto desta (um psicólogo com quem desenvolve uma estranha relação)
Um filme porreirinho, não um óptimo, não um soberbo, mas claramente um bom filme, com uma historia já vista (talvez a historia seja aqui o aspecto menos trabalhado), bons desempenhos (não compreendo como é que Ben Kingsley foi nomeado para um Razzie), bom ritmo e uma boa realização(com dois ou três óptimos pormenores).


Para mais, o filme passa-se em 94, o que nos permite “matar saudades” de alguns objectos e algumas referências culturais (tanto musicais, como cinematográficas) que já a uns tempos não ouvíamos falar.


Um filme que não fica na memória, mas que n é perca de tempo… Daqueles para ver num domingo a tarde, com solzinho…



Enjoy (provavelmente)

David o golias

27 de março de 2009

Sauna

Sauna_Poster_Twitch Sauna é um filme de terror realizado por Antti-Jussi Annila, um filme finlandês e russo que explora os pecados pós guerra de soldados debilitados emocionalmente e que ainda têm como trabalho final percorrer uma linha imaginária entre a Finlândia e a Rússia de modo a poderem traçar de vez as linhas fronteiriças entre os dois países.

Antti-Jussi “saca um brilharete” com a sua segunda longa metragem, Sauna é todo ele pleno de boa realização, a focagem de cenários e a maneira como as próprias personagens são filmadas são um must de um filme que é bom mas poderia ser bem melhor. Sauna não origina uma nova era para os filmes de terror mas dá paços largos nesse sentido. a existência de alguns “sustos fáceis”, diminuem francamente a qualidade do argumento. Destaque especial para uma fotografia estonteante e a montagem do filme, bem como outros aspectos que vão desde o guarda-roupa ao som, tudo foi feito ao detalhe, tudo se encaixa perfeitamente.

Outro destaque, novamente pela positiva foi o casting. Sauna está dotado de grandes actores que mal consigo pronunciar o nome ou que já alguma vez vi no grande ecrã mas que teem ja uma extensa lista de filmes no seu curriculo, principalmente os centrais Ville Virtanen e Tommi Eronen na pele de Eerik e Knut Spore. O desempenho foi excelente e poucas vezes vi a credibilidade a subir tão alto em filmes de terror.

Quanto ao argumento, tenho a dizer que já vi algo parecido, mas de certeza com menos requinte que este. Mesmo assim o argumento embora requintado e até com algumas surpresas é para mim o ponto menos bom de todo o filme, A duração inferior a 90 minutos não lhe retira um certo tédio que lhe está inerente.

Vale o bilhete

25 de março de 2009

Killshot

killshot Embora baseado na obra de Elmore Leornard, responsável pelo magnifico “Jackie Brown” de Tarantino, “Killshot” cheirou a desilusão e a verdade é que a mais recente obra de John Madden (responsável por Shakespeare in love) caiu nos velhos “cliches” de filmes de hitmans profissionais.

Mickey Rourke está extremamente falível como Armand Degas, assassino profissional da máfia com um passado pesado devido a morte do irmão e de sangue índio. a personagem foi não foi mal interpretada mas a credibilidade deixou a desejar principalmente num filme que conta tanto com grandes estrelas como flops hollywoodescos. Joseph Gordon Levitt volta depois de “Brick” a não estar a altura deste género de cinema, embora tenha tido a personagem mais difícil de interpretar, a falha foi grande nas situações mais exigentes. Rosario Dawson, quase figurante no filme não teve espaço para brilhar. Destaque para Diane Lane e Thomas Jane (melhores interpretações do filme), um casal com problemas conjugais ao abrigo de protecção de testemunhas do FBI, que a um certo ponto parece que estamos perante um drama familiar e não um filme de acção.

A realização a cargo de John Madden não oferece grandes surpresas, a fluidez é sempre necessária num filme de género de Acção/Drama e as falhas acabaram por se notar, principalmente a meio do filme onde este se torna extremamente entediante com variadas cenas “só para encher cachimbo”.

O argumento de Hossein Amini não favorece a obra de Elmore Leonard. numa altura em que os filmes sobre “Hitmans” profissionais andam na moda, “Killshot” acaba por ser mais um entre outros. Género que começou para mim com o espectacular “Leon” de Luc Besson, este tipo particular de “profissão” tem os dias contados no cinema. A história repete-se e elementos novos dificilmente virão.

Não vale o bilhete

17 de março de 2009

Vicky Cristina Barcelona

Ano: 2008

Realizador: Woody Allen

Argumento: Woody Allen

"Empty sex? Do you have such a low opinion of yourself."

Woody Allen realiza o quarto filme consecutivo no Velho Continente, no entanto em nenhum dos anteriores o meio envolvente teve um papel tão preponderante. Vicky Cristina Barcelona é um autêntico postal de Barcelona!

Vicky Cristina Barcelona conta a história de um quarteto constítuido por um artista catalão Juan Antonio Gonzalo (Javier Bardem em bom plano), duas turistas americanas com personalidade bem distintas Vicky e Cristina (Rebecca Hall e Scarlett Johansson, respectivamente) e a desvairada ex-mulher Maria Elena (uma Penélope Cruz soberba...).

O argumento é excelente, desenvolvendo as relações complexas entre o quarteto. O elenco é excepcional, assim como o ambiente de Barcelona e Oviedo. Woody Allen na sua "fase Europa" realiza outro filme brilhante, onde apenas Scoop foi uma desilusão.

Um filme romântico, com uma ponta de pessimismo. Recomenda-se!

12 de março de 2009

Maradona by Kusturica [Maradona]


Ano: 2008
Realização: Emir Kusturica

Um documentário no qual se percorre toda a vida de Maradona, e no qual ele se apresenta como homem, pai, marido e jogador de futebol.


Grande surpresa este documentário. Não tanto pela realização, que já se esperava que fosse boa (e é-o, com um ritmo perfeito, com uma montagem óptima), mas pela figura que é Diego Maradona. Descobre-se que por tras das faixas de “melhor do mundo” e de “drogado”, há um homem com uma grande preocupação social, com um pensamento político bem formulado e com uma oratória surpreendentemente clara e forte. Fala-se de tudo sem pudor ou sem reservas, desde a infância de extrema pobreza, a famigerada “mão de deus” ao flagelo da droga. É assim a desconstrução de um ícone, uma visão mais pessoal de um homem que ascendeu a condição de deus, e como diz kusturica, “só aos deuses tudo é perdoado”.


De realçar a cena em Nápoles, em que a multidão faz abanar um hotel, ou o brilho nos olhar quando Maradona fala da infância, ou quando diz, sem sequer haver a possibilidade de poder pensar que esta a ser presunçoso, que: “quando o jogo acabava eu era como todos vocês… agora, quando passava a linha de cal… aí… aí mandava eu!”.


A ver, quer gostes de futebol quer não gostes, quer sejas de esquerda, quer não sejas, quer gostes de documentários quer não gostes. Vale a pena compreender um homem que marcou o mundo.



Enjoy (Garantidamente. É muito, mas muito, mas muito bom.)

David o golias

11 de março de 2009

Choke - Asfixia


Ano: 2008

Realização: Clark Greggs

Argumento: Clark Greggs

Quando saiu o filme “Fight Club”, o escritor Chuck Palahniuk foi atirado para a ribalta por ter escrito a base do que se tornou um dos filmes mais emblemáticos da década de 90. Porém, por todos os seus livros (apesar de demonstrarem originalidade, sobretudo no campo da sátira) seguirem uma trilha narrativa semelhante, temia-se que qualquer outra adaptação seria uma cópia pobre do filme de David Fincher.

“Choke” é exemplo perfeito disso.

Adaptação do livro homónimo de Palahniuk, o filme gira em torno de Victor, um viciado em sexo que, para poder pagar os cuidados médicos da mãe, cria um esquema de ganhar dinheiro ao simular engasgar-se em restaurantes e extorquir moralmente os “bons samaritanos” que o salvam.

O filme não é tão visualmente dinâmico ou marcante como “Fight Club”. Feita então esta comparação, admito: é um bom filme, que se vê bastante bem, com algumas personagens e cenários memoráveis.

É de se admirar o trabalho de Clark Greggs pela coragem que assumiu ao adaptar o livro de Palaniuk. Sempre o tomei como um actor mediano de sitcoms e surpreendeu-me muito o argumento e realização (assim como o seu papel secundário). Porém, é de se notar que Greggs tentou aproximar-se demasiado do trabalho de Fincher (em mais do que uma ocasião, notam-se pequenas piscadelas de olho ao “Fight Club”) e isso prejudica um pouco o filme, pois priva-o por vezes de uma identidade própria.

O maior destaque de “Choke” é sem dúvida Sam Rockwell, um actor subvalorizado de grande qualidade que carrega o filme às costas como o protagonista provocatório e cativante. Rockwell aproveita o melhor do argumento e atenua o pior, poucos são os actores que conseguem fazer isso. Do restante elenco, destaco Angelica Huston (em boa forma, mas já esteve bastante melhor) e Greggs (que funciona sobretudo como figura antagonista da personagem de Rockwell).

O filme é, essencialmente, uma comédia negra (que às vezes, arrisca-se a fugir para o ridículo) com bastantes surpresas e diálogos rápidos e divertidos. Há personagens e situações muito bem construídas (o emprego de Victor, a stripper Cherry) assim como outras que eram desnecessárias e que magoam um pouco o filme (os flashbacks em geral, havendo uma ou outra excepção).

Não é um filme que vá mudar o mundo a alguém, mas possui qualidade suficiente para proporcionar um bom serão.

27 de fevereiro de 2009

Pineapple Express [Alta Pedrada]


Ano: 2008
Realização: David Gordon Green

O filme conta a história de um homem e do seu traficante de droga, que de um momento para o outro se vêm perseguidos por um perigoso criminoso.


Vi este filme porque li maravilhas da crítica, e sinceramente, fiquei desiludido. O filme esforça-se demasiado por ter piada, e apoia-se demasiado na piada fácil, o que é uma pena, pois é quando não o faz que atinge os seus pontos mais altos (que mesmo assim ainda são alguns, como algumas cenas de James Franco, ou a original cena de pancadaria). Faz esboçar alguns sorrisos e um ou outro riso, mas não mais que isso. Não é uma inovação ao género, é mais do mesmo!



Enjoy (para quem gostar do género)

David o golias

25 de fevereiro de 2009

JCVD


Ano: 2008
Realização: Mabrouk El Mechri


Aqui, Jean-Claude Van Damme faz de Jean-Claude Van Damme, que após a decadência da sua (já de si decadente) carreira de actor, e no decorrer do seu processo judicial pela guarda da sua filha, decide voltar ao seu pais natal (que, para aqueles que não sabem os pormenores biográficos do actor, é a Bélgica).


Ora aqui esta um filme, que muitos de nos só pela capa diríamos “nunca na vida!!!”, mas perderia-se assim, a única hipótese de ver Van Damme a representar.


O filme em si não é bom: é um bocado chato (muito lento a chegar onde quer que seja); tenta demasiado ter piada (sendo que nunca o consegue, mas também não precisava de o conseguir); os restantes actores são medíocres (nunca pensei algum dia escrever “medíocres” quando a comparar o talento de alguém ao de Van Damme).
O filme em si não é mau: Van Damme Esta inegavelmente bem, sustenta o filme, faz sorrir e surpreende; a realização é muito muito boa, com um estilo irreverente, com óptimos pormenores vindos do nada, que nos fazem retomar a atenção que se calhar, se ia desvanecendo aos poucos; o brilhante, mas brilhante mesmo, monologo do “eu Van Damme me confesso”( que me atrevo a dizer, é imperdível).


Este filme é assim um verdadeiro antagonismo, que vale por ser de quem é, por nos dar uma visão que julgávamos nunca vir a ter. Afinal os “cromos” também são gente… Fico a espera do Biopic do Paulo Coelho para engolir mais um sapo!



Enjoy (mais que não seja, pela estranheza que te vai fazer sentir)

David o golias

Milk


Ano: 2008
Realização: Gus Van Sant
Prémios:
- Best Performance by an Actor in a Leading Role [Sean Penn]; Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen - Academy Awards (2009)
- Best Supporting Male [James Franco] - Independent Spirit Awards (2009)


O filme conta a historia verídica de Harvey Milk, um homossexual que se envolve no movimento dos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos da América.
Aqui esta um bom filme, sustentado por uma boa realização e por duas óptimas performances, tanto a de Sean Penn que esta fantástico, encarnando na perfeição tanto a fisionomia como os maneirismos de Milk, como de Emile Hirsch quase irreconhecível e que rouba as cenas em que entra (não sabe estar mal este gajo…ultimamente, o nome dele é sinonimo de qualidade). De apontar como mau só o enredo, que se torna um pouco confuso em certas alturas (devido aos nomes e funções dos vários cargos políticos referido) e perde um pouco a atenção de quem vê.

Gus Van Sant esta muito bem, fazendo ao longo do filme varias “brincadeiras visuais”, que realçam em muito o prazer de ver este filme (como a cena do apito, que é a meu ver, a cereja no topo do bolo).


Enjoy (certamente)

David o golias

22 de fevereiro de 2009

Doubt - Dúvida



Ano: 2008

Realização: John Patrick Shanley

Argumento: John Patrick Shanley

Assim como no ano passado “Juno” destacou-se entre os nomeados dos Óscares, “Doubt” foi para mim, dos nomeados deste ano, a maior surpresa deste ano. Não só pela qualidade que detém, mas pela injustiça que sofreu em não ter recebido nomeação para Melhor Filme (enquanto filmes como “The Reader” se distinguiram na lista dos nomeados…).

O filme passa-se em meados da década de 1960, num colégio religioso, onde um padre é alvo de suspeitas da freira/directora do colégio, devido a uma relação controversa que tem com um aluno. Baseado na peça “Doubt: A Parable” (da autoria de Shanley), o filme aborda diversos temas como a discriminação racial, a homossexualidade, a autoridade eclesiástica e, sobretudo, a dicotomia religião/fé. Porém, nem sempre tais assuntos controversos são abordados de maneira directa. De facto, este não é um filme pesado nem chocante, mas sim provocante, pois (subtilmente) todas as questões são analisadas de forma sincera e clara.

A coragem do argumento revela-se através de um diálogo verdadeiro, espontâneo e cativante. Aliando-se uma realização capaz, que não mostra pressas, mas também não arrasta o enredo (o final é provavelmente um dos mais perfeitos que já vi, em tempos recentes), Shanley prova ser um narrador de grande categoria. Contudo, são os protagonistas que fazem o filme brilhar ainda mais, através de desempenhos fantásticos. Nesta categoria, a Academia felizmente e justamente não ignorou o filme. Os personagens que Phillip Seymour Hoffman e Meryl Streep interpretam, apesar de inicialmente parecerem um pouco caricaturados, dão presença de uma humanidade que raramente se encontra no grande (ou pequeno) ecrã. É de se destacar também o papel (porventura pequeno, mas impossível de ignorar-se) de Viola Davis.

No fundo, “Doubt” acabou por me conquistar um pouco pela mesma razão que “Juno” conseguiu tal feito: é um filme simples, com uma honestidade poderosa que não deixa o espectador indiferente. Neste caso, num tempo em que os filmes se regem cada vez mais pelo exagero quantitativo (negligenciando-se muito a qualidade), menos é sem dúvida (lá tinha de vir o trocadilho estúpido…) mais.

P.S. - descobri agora que Shanley, antes de seguir a carreira de dramaturgo, ainda chegou a realizar um filme nos inícios dos anos 90: “Joe Contra o Vulcão” (caso para se dizer “as voltas que o mundo dá”)

18 de fevereiro de 2009

The Reader [O Leitor]


Ano: 2008
Realização: Stephen Daldry
Prémios:
- Best Performance by an Actress in a Supporting Role [Kate Winslet] - Golden Globes (2009)
- Youth in Film [David Kross]; Best Actress [Kate Winslet] - Las Vegas Film Critics Society Awards (2008)
- Best Performance by an Actress in a Leading Role [Kate Winslet] - Academy Awards (2009)
- Best Leading Actress [Kate Winslet] - BAFTA Awards (2009)


O filme conta a história de um jovem rapaz que numa Alemanha pós guerra conhece uma mulher mais velha com quem inicia uma relação amorosa.
Esta película que recebeu a nomeação para o Óscar de melhor filme surpreende por não surpreender. A história é bem contada, mas não vai mais alem, nunca atinge o fantástico, o soberbo ou o maravilhoso. Sem contar com David Kross que leva o filme as costas o restante das actuações não brilham (a de Kate Winslet não me parece que seja para Óscar, e Ralph Fiennes passa quase totalmente ao lado do filme), a intensidade dramática dilui-se ate quase se desvanecer, o apogeu da história passa quase despercebido, e a mensagem que o filme procura passar passa muito ao de leve.


É daqueles filmes que se vê, mas não se volta a ver.




Enjoy (porque é uma maneira diferente de olhar para uma historia já tantas vezes contada)

David o golias